Os arroios
Os arroios são rios guris... Vão pulando e cantando dentre as pedras. Fazem borbulhas d'água no caminho: bonito! Dão vau aos burricos, às belas morenas, curiosos das pernas das belas morenas. E às vezes vão tão devagar que conhecem o cheiro e a cor das flores que se debruçam sobre eles nos matos que atravessam e onde parece quererem sestear. Às vezes uma asa branca roça-os, súbita emoção como a nossa se recebêssemos o miraculoso encontrão de um Anjo... Mas nem nós nem os rios sabemos nada disso. Os rios tresandam óleo e alcatrão e refletem, em vez de estrelas, os letreiros das firmas que transportam utilidades. Que pena me dão os arroios, os inocentes arroios...
(Baú de Espantos) |
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