A MINHA AVÓ Minh’alma vai cantar, alma sagrada! Raio de sol dos meus primeiros dias... Gota de luz nas regiões sombrias De minha vida triste e amargurada. Minh’alma vai cantar, velhinha amada! Rio onde correm minhas alegrias... Anjo bendito que me refugias Nas tuas asas contra a sina irada! Minh’alma vai cantar... Transforma o seio N’um cofre santo de carícias cheio, Para este livro todo o meu tesouro... - Eu quero vê-lo, em desejada calma, No rico santuário de tu’alma... - Hóstia guardada n’um cibório de ouro! - |
CANTIGA Meu sonho dourado e leve, Que buscas tu a voar? Um ninho branco de neve Onde me deixem cantar. ...................................... E em busca das nuvens belas Lá vai meu sonho a cantar... Meu sonho cor das estrelas, Meu sonho cor do luar. Pergunto ao sonho chorando, Por que foges a cantar? E ele responde, cantando: Por que foges a cantar? ...................................... E em busca das nuvens belas Foi-se meu sonho a cantar... Meu sonho cor das estrelas, Meu sonho cor do luar. |
TEUS ANOS A Eugênia B. de Albuquerque Mello Teus anos amanhã. Fui ver, contente, (E como procurei por toda parte!) Um mimo que te desse... e achei, somente, Meu triste coração, mimo sem arte. Mas... o que dirás tu quando, de leve, Bem cedinho batendo à tua porta, Vires meu coração frio, de neve, Pobre flor sem perfume e quase morta? Manda-o entrar... E diz, ó doce amada! Que ele se aqueça d’esse olhar no brilho... Vai de tão longe te pedir pousada: Deixa-o ficar no berço de teu filho... Angicos, - 2 de Maio de 1896.
Auta de Souza |
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